587 mil casas sem rede de esgoto e saneamento é tema da campanha da fraternidade 2016

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Quase 600 mil domicílios na Paraíba (587 mil) não possuem rede coletora de esgoto, ou seja, quase metade das casas no Estado (48,4%) não têm acesso ao saneamento básico. E o mais grave: em 40 mil , das 1.221 milhão de casas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2014, não há nenhum tipo de esgotamento sanitário. Os números alarmantes chamaram a atenção da Igreja Católica que trará justamente o saneamento básico como tema da próxima Campanha da Fraternidade.

O tema será “Casa comum, nossa responsabilidade” e sob o lema bíblico “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca (Am5.24)”. Para o arcebispo da Paraíba, dom Aldo di Cillo Pagotto, o assunto “saneamento básico” é de extrema importância e a igreja tem papel vital na conscientização da população.

“ Sobre o saneamento básico, basta dizer que: todo tipo de doença vem da ausência de educação e práticas de vida sadia. É preciso educar as crianças, desde a sua tenra idade, bem como todos e cada um de nós, cidadãos/ãs que, nem sempre fomos educados para conviver nos espaços familiares e sociais, visando a saúde preventiva e a vida saudável. A Igreja se faz parceira nas campanhas de educação e conscientização da população. Tanto a preservação, quanto o bom uso da água, a população deve corresponder às práticas efetivas de convivência com o semiárido. Nesse contexto entra o saneamento básico”, explicou.

Conforme a Pnad, a Paraíba ainda tem 29 mil casas com fossas sépticas ligadas à rede coletora, 202 mil com fossas sépticas não ligadas à rede coletora e 268 mil com fossas rudimentares. Quarenta mil casas paraibanas ainda não possuem banheiros ou sanitários.

Água e saneamento caminhando juntos

Dom Aldo explicou, ainda, o que a Campanha da Fraternidade irá abordar neste ano. Segundo ele, os temas água e saneamento básico irão caminhar juntos. “A Campanha da Fraternidade 2016 tenta integrar a temática da água e do saneamento básico, alertando para o grave problema da segurança hídrica, da justa e equânime distribuição da água e do bom uso da água”, enfatizou.

Ele acrescentou que além disso, a campanha também tratará da “necessidade de economizar água tratada para uso humano, o redesenho do saneamento básico, comportando uma série de medidas para evitar o assoreamento das margens dos rios e afluentes, preservando os mananciais, reflorestando zonas imensas onde há desertificação, reestudando a questão produtiva em geral, evitando desperdício, reorientando a distribuição e respeitando as tecnologias modernas que garantem água para uso animal, plantios, redes produtivas, agronegócio, agricultura familiar, enfim, todo o contexto ecológico sustentável, viável, possível”, disse.

Para Dom Aldo, a Campanha da Fraternidade não pode se restringir apenas ao período da quaresma. Segundo ele, é preciso uma conscientização permanente, buscando algo maior. “Eu sinceramente entendo que cada Campanha da Fraternidade visa, não apenas 40 dias da quaresma, quando não dá para fazer grande coisa. A campanha de conscientização, educação, práticas exitosas (etc.) deve ser constante”, finalizou.

Paraíba Informa / Nice Almeida e Rammom Monte / Foto: Nalva Figueiredo

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