‘AOS GUERREIROS DE NOSSA PM’ ASSASSINADOS, HONRARIAS QUE SÓ VÃO ATÉ A MISSA DE 7º DIA

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Na foto exposta no porta-retrato se esconde a saudade. Na camisa pendurada no cabide, a certeza de que ele não volta mais. E no coração, a dor e a tristeza de saber que, para além da família, restará apenas o esquecimento. Foram esses os sentimentos encontrados na casa de Cleonice da Silva, mãe do sargento Josemberg da Silva, assassinado em junho de 2014. Ela conta que o principal ideal do filho era o mesmo descrito nos versos da Canção da Polícia Militar da Paraíba que dizem: “Aos guerreiros da nossa PM, sem que nossa coragem se iniba. Nossa jura de empenho e trabalho à pequena e audaz Paraíba”.

Mas, ultimamente, a coragem e o trabalho dos policiais estampados na canção estão sendo apagados pela ação dos bandidos. Este ano três policiais já foram mortos e dois ficaram feridos na Paraíba. Luto oficial, enterro com todas as pompas militares, discursos das autoridades, tudo isso acontece quando um PM é assassinado. Mas, e depois que o tempo passa? Eles ainda sã lembrados? Ainda são homenageados? E as famílias deles, como ficam?

A realidade é dura. Segundo Cleonice da Silva, a comoção dura até a missa de 7º dia e depois somente a família continua carregando a dor, a tristeza e as lembranças da tragédia que tirou a vida do policial e a vontade de viver de quem ficou. “(Não teve) Assistência nenhuma. Só da PM mesmo que eu tive, eu não vou negar, os amigos deles, os amigos do meu esposo, que é policial civil. Apoio desse povo eu tive, mas de outros não. Só vieram até a missa de sétimo dia. Na missa teve algumas pessoas, mas depois da missa ninguém, ficou só na lembrança. Às vezes ele aparece na televisão quando acontece outros casos. Falam no nome dele. As autoridades não. Ninguém procurou saber como eu estava.  Só foi até o sétimo dia, depois esqueceram”, afirmou emocionada.

E os problemas ultrapassam a barreira do abstrato que aglutina a tristeza e a saudade e chegam até o fato concreto, o das finanças. Segundo dona Cleonice, a pensão deixada pelo sargento Josemberg é dividida entre três filhos que ele deixou, um do primeiro casamento e os outros dois, do segundo. Além deles, ainda há uma filha, que está grávida e  que por ser maior de idade, não tem direito a receber o benefício.

“Ele quem sustentava a casa. A filha mais velha dele eu estou ajudando. Porque ela ficou sem direito a nada, por ser maior de idade. Então a minha nora pega o que recebe do menino e ainda dá um pouco para ela, porque ela está pagando casa, ela está desempregada e o marido dela também. Eu tiro do meu para poder ajudá- la”, afirmou.

Redução no salário

De acordo com o presidente do Clube dos Oficiais da Polícia e Bombeiro Militar da Paraíba, Coronel Francisco, além da perda do ente querido, a família de um PM morto ainda tem que lidar com a redução da renda. “Hoje, na prática, quando um policial morre, ele perde em torno da metade do salário, uma média de 46% do total. A família perde o ente querido e ainda perde a pensão salarial, para continuar a tocar a vida. É desumano”, afirmou.

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Comando Geral da PM diz que todas as assistências são prestadas

Se por um lado a mãe de um PM morto diz que a memória do filho só foi lembrada pelas autoridades durante sete dias, o Comando Geral da Polícia Militar da Paraíba diz que toda assistência é prestada. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, “a Polícia Militar dispõe de serviço de assistência social para o acompanhamento necessário aos familiares”.

Ainda de acordo com a assessoria da PM, esse tipo de ação não enfraquece a instituição, que reafirma que “jamais recuará perante os criminosos” e que continuará defendendo a sociedade, mesmo com o risco da própria vida.

Paraíba Informa / Rammom Monte

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