‘Armas Brancas do Medo’ exposição mostra objetos domésticos utilizados para agredir mulheres, na Paraíba

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O que deveria ser usado apenas como utensílio em tarefas domésticas, tem se transformado em armas perigosas, objetos de vários crimes contra as mulheres.

Ítens como facas, tesouras, espetos, facões, machados, são peças de processos que envolvem violência doméstica contra mulheres e compõem a exposição “Armas Brancas do Medo – Desnaturalizar é preciso”, da taperoaense e servidora do Tribunal de Justiça da Paraíba, Thayse Vilar.

O evento, que foi aberto dia 25 e acontece até amanha (29), no Hall do Fórum Criminal da Capital paraibana, o principal fórum criminal do Estado, também integra a XV Semana da Justiça pela Paz em Casa, do Conselho Nacional de Justiça-CNJ.

A idéia surgiu da experiência diária de Thayse Vilar, enquanto servidora da Vara de Violência Doméstica contra a Mulher da Capital.

“O manuseio dessas armas que chegam ao Fórum, junto com os inquéritos, sempre provocavam tristeza e indignação em nós, Servidoras do Juizado da Violência Doméstica da Cspital. Esses sentimentos, aliados ao resultado de uma pesquisa do Escritório de Drogas e Crimes da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgada no final do ano passado, me provocou a realizar a exposição, que tem sobretudo um caráter pedagógico”, disse Thayse.

Segunda ela, a pesquisa da ONU apontou que o lugar mais perigoso para os homens é a rua, enquanto para a mulher, é dentro de casa e é preciso alertar a sociedade de que isso não pode ser visto como natural. “A casa deve ser um lugar de aconchego e paz. Isso sim é natural”, ressaltou a servidora.

Quem passar pelo hall do Fórum vai poder ouvir histórias, tocar as peças e ter acesso aos depoimentos das vítimas, expostos em um painel com os conteúdos de violência sexual, psicológica, física e patrimonial.

Segundo a Taperoaense, e idealizadora da exposição, a intenção é levar esse trabalho para outras comarcas, escolas e universidades, em todo o Estado, possibilitando acesso às informações e promovendo a desnaturalização desse tipo de violência e ainda, alertar sobre os crimes cometidos contra as mulheres dentro das suas próprias casas.

“A gente prepara as mulheres para terem medo das ruas, enquanto que deveríamos prepará-las para reconhecer e evitar relacionamentos, tóxicos e abusivos, porque a estatística mostra que são eles que mais matam”, pontou Thayse Vilar.

Outro ponto ressaltado pela curadora da exposição é que as “armas brancas” não são menos graves que as armas de fogo. “Elas passam mais despercebidas e, portanto, podem gerar uma ameça mais contínua”, analisou, exemplificando com um dos casos em que o cassetete ficava pendurado na parede da sala, numa constante e silenciosa ameaça.

Em entrevista, por telefone, ao portal Taperoá.com, Thayse Vilar disse que o “Reino”, como ela costuma se referir quando faz menção a Taperoá, será a primeira cidade a receber a exposição, depois da Capital Paraibana, por onde a exposição, que será intinerante, começou.
“Desnaturalizar comportamentos violentos é preciso em todo o mundo e não há como pensar algo cuja finalidade seja essa sem que Taperoá estivesse incluída!”, finalizou Thayse.

A exposição tem tido repercussão social e recebeu apoio institucional da Presidência do Tribunal de Justiça da Paraíba, através da Coordenadoria da Mulher em situação de Violência (representada pela Juíza Graziela Queiroga) e da Direção e Secretaria do Fórum Criminal de João Pessoa, tendo repercutido inclusive nas redes sociais do CNJ.

Ainda em contato com esse portal Thayse fez questão de frisar que o desenho que simboliza a exposição e compõe todo o material gráfico da exposição é de outro taperoaense, o artista plástico e designer, gráfico Jones Oliveira.

“Foi meu jeito de trazer Taperoá pra dentro da exposição e Jones, superando nossas expectativas, captou com muita sensibilidade a ideia e materializou exatamente o que queríamos.”

Acrescentou ainda q a produção das camisas para a exposição ficou ao encargo de outra empreendedora taperoaense, Divânia Gomes.

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