Bancada é contrária à reforma política para 2014

Até findar o prazo de 70 dias que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impôs para preparar a estrutura eleitoral e viabilizar o plebiscito sobre a reforma política, a maioria dos deputados da bancada federal, sete dos 12, defendem em consenso a reformulação da legislação eleitoral, o fim do voto secreto e a garantia da vaga de suplente de senador para o segundo mais votado, mas divergem em dois aspectos: o fim das coligações e o financiamento público. Em síntese, a maior divergência dos parlamentares paraibanos diante do governo da presidente da República, Dilma Rousseff, é a de que a reforma política só deve vigorar para eleições subsequentes à de 2014.

A crítica à sugestão dos cinco pontos apresentados pela presidente Dilma ao Congresso Nacional não fazem parte apenas do discurso de partidos de oposição como DEM e PSDB. Os deputados federais paraibanos Benjamin Maranhão e Manoel Júnior, do PMDB, legenda que compõe a base do governo, não pouparam críticas ao governo petista. “Esse plebiscito da forma como foi proposto é inviável juridicamente. É uma coisa grosseira porque não é uma reforma política. É uma reforma eleitoral e que, a meu ver, não pode ser decidida por plebiscito. Essa proposta sugerida ao Congresso Nacional é um equívoco gigantesco. É mais uma peça de marketing porque quando se começa a analisar, se percebe que não tem pertinência jurídica”, frisou Benjamin Maranhão.

Do mesmo lado no partido e nas críticas ao governo, o deputado Manoel Júnior reforça o tom dado por Benjamin. “Sou contra a realização de plebiscito porque vai gerar despesas aos cofres e aos contribuintes. Seria interessante um referendo para o ano de 2014. O PMDB defende que junto a esses pontos em discussão o governo reduza o número de ministérios, revise o pacto federativo, que disciplina a divisão de impostos arrecadados pelos municípios e Estados, e a reforma tributária”, reforçou.

Opostos nas eleições, mas do mesmo lado nessa discussão sobre reforma, o PMDB tem o PSDB e DEM fazendo eco sobre suas críticas. O deputado federal e presidente do PSDB na Paraíba, Ruy Carneiro, e Efraim Filho do DEM, tratam a iniciativa do governo federal como oportunista.

Ruy Carneiro classifica a propositura do governo: “A presidenta usa essa postura de pautar o Congresso fugindo de responder ao que os movimentos populares estão cobrando nas ruas”, assinalou o deputado federal tucano.

GOVERNO PERDE O FOCO DIZ DEPUTADO

O deputado Efraim Filho, em tom oposicionista, acusa o governo de ter perdido o direcionamento político da gestão. “O governo Dilma perdeu o foco e não se encontra em sintonia com os movimentos nas ruas. Na maioria das manifestações não se falava em reforma política, e sim, em combate à corrupção e críticas à ineficiência e incapacidade do governo em prestar serviços de qualidade. Criaram uma cortina de fumaça para encobrir a verdade e o debate que o Brasil das ruas quer”, enfatizou.

Em defesa do governo petista, o deputado federal Luiz Couto diz ser defensor de toda a reforma proposta, inclusive, o item que prevê o fim da reeleição que atingiria possivelmente a candidatura da presidente Dilma Rousseff numa segunda tentativa de governar o país. “Sou favorável ao plebiscito e uma série de questões que estão sendo colocadas. A verdade é que eles (os deputados) estão com medo do povo. O Congresso está com medo da população porque sabe o que ela quer”, disse.

 

Com Jornal da Paraíba

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