Crise fecha escolas particulares na paraíba

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Duas escolas particulares da Região Metropolitana de João Pessoa anunciaram o encerramento de suas atividades este ano e uma informou que não irá mais oferecer aulas para o Ensino Médio. O Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino Privado da Paraíba (Sinteenp) divulgou que mais de 70 professores foram demitidos em dezembro em virtude do fechamento dessas unidades.

Muitas escolas particulares já enfrentam problemas com a inadimplência, mas a crise econômica acentuou ainda mais essa situação. O diretor administrativo do Instituto João XXIII, Airton Cardoso, revela que até fevereiro do ano passado o descumprimento com o pagamento das mensalidades era tolerável. Em abril, houve um aumento de 40% no número de inadimplentes.

“Perdemos pelo menos 8% dos alunos este ano em virtude da inadimplência, porque a lei não obriga as escolas renovar a matrícula desses alunos”, comenta Cardoso. Este ano, após 56 anos de tradição, o João XXIII não funcionará mais com o Ensino Médio. O número reduzido de alunos, o valor da hora-aula paga aos professores e a inadimplência foram os motivos que levaram a unidade optar por esta decisão.

O Sinteenp revelou que 28 professores do João XXIII seriam demitidos com a suspensão do Ensino Médio, mas, com as negociações, esse número caiu para 16, tendo em vista que 12 profissionais estão em período de pré-aposentadoria.

Colégio funcionava há 60 anos em Bayeux

O Colégio Zé Pires encerrou totalmente as atividades este ano. A unidade funcionava há mais de 60 anos em Bayeux e oferecia turmas do Ensino Infantil ao Médio. De acordo com o Sinteenp, em 2015, a unidade também suspendeu as aulas do Ensino Médio, em virtude de problemas financeiros. A reportagem procurou a direção da escola, mas ninguém quis se pronunciar sobre o assunto.

A Escola Dom Bosco, localizada em Santa Rita, também fechou as portas este ano depois de 31 anos de funcionamento. A direção afirmou que a unidade está com sérios problemas financeiros e não tem condições de manter suas atividades, mas não quis aprofundar sobre o assunto.

Lei rígida contra inadimplência

O presidente do Sindicato das Escolas da Rede Privada da Paraíba, Odésio Medeiros, vê com preocupação o fechamento dessas unidades. “Cada escola que fecha é um posto de trabalho que se acaba. São inúmeras pessoas que perderam seus empregos. Por isso, defendemos uma lei mais rígida para a inadimplência escolar”, comenta.

Segundo Medeiros, em João Pessoa, o índice de inadimplência chega em 15%. “Se você atrasa uma conta de energia ou água, três meses depois vem o corte. Uma escola particular tem suas obrigações financeiras e não pode ser penalizada pela falta de compromisso de algumas famílias”, declara Medeiros.

A economista Rosângela Palhano comenta que a inflação e a política de juros alta comprometem o poder de compra do consumidor e geram um efeito cascata no orçamento familiar. Como há um limite de gastos, muitos pais acabam suspendendo o pagamento das mensalidades, porque sabem que a escola não pode penalizar o aluno.

Paraíba Informa / Ellyka Akemy

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