Diretor halder gomes fala sobre ‘o shaolin do sertão’

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Sertão do Nordeste. Ceará. Quixadá. Mais de 10 mil quilômetros separam a pequena cidade do interior do Brasil da China, berço das artes marciais. No entanto, o que a geografia distancia, o cinema aproxima, seja na vida real, seja em O Shaolin do Sertão, nova produção de Halder Gomes, o mesmo diretor de Cine Holliúdy, em cartaz em João Pessoa e Campina Grande.

As notícias começam bastante favoráveis. Na estreia apenas no Ceará, o filme levou 45 mil pessoas às salas de cinema, superando Inferno, filme adaptado do best-seller de Dan Brown, no estado. Na expansão do circuito, o filme superou a marca dos 100 mil espectadores.

Na comédia, acompanhamos a história de Aluízio Li (Edmilson Filho), um padeiro que acredita ser um monge Shaolin. Inspirado pelos filmes de kung fu que assiste no pequeno cinema de Quixadá, ele treina diariamente para tentar vencer o lutador de vale-tudo Tony Tora Pleura (Fábio Goulart) e provar que é um mestre de verdade.

O elenco tem ainda nomes como Dedé Santana, Fafy Siqueira, Marcos Veras, Tirulipa e o cantor Falcão, que interpreta um samurai bem “fuleiro”, para usar uma palavra bem típica do vocabulário dos personagens do filme.

O diretor e roteirista do filme revela que a ideia de O Shaolin do Sertão precedia Cine Holliúdy, mas optou por uma estratégia. “Eu sabia que esse filme iria demandar mais orçamento e uma maturidade para realizá-lo, por conta do número de locações e das coreografias das lutas. Então decidi investir em Cine, um projeto em que eu acreditava bastante, por acreditar que ele teria mais chances de entrar em festivais, por ser um filme que fala sobre o cinema”, explica. A estratégia se mostrou acertada, pois o sucesso de Cine Holliúdy – que deve ganhar uma continuação – realmente possibilitou a nova empreitada.

A inspiração para a história se deu pela própria infância de Halder, que via filmes de ação orientais no cinema. “Se você voltar no Cine Holliúdy, que é um filme de memórias sobre um cinema de interior, dá pra ver que boa parte das atrações em cartaz nesse cinema eram filmes de kung fu. Eles tiveram forte impacto cultural em certa faixa da população. Então muita gente sonhava em ser o Bruce Lee, se vestia que nem ele, imitava os golpes. O Shaolin do Sertão pega algumas dessas figuras que existiam e ainda existem e transforma em um protagonista com ares de um herói improvável”, salienta.

Outro aspecto da realidade que aparece no filme é a presença de lutadores de vale-tudo aposentados, algo muito comum no Nordeste. “Eles iam para o interior participar dessas competições porque já não tinham idade para competirem profissionalmente. Houve um grande boom disso nos anos 1980 e começo de 1990, um fenômeno cultural que mexia com a cidade, uma espécie de ‘UFC da fuleragem'”, brinca Halder Gomes.

Embora conte com um elenco de nomes nacionais, seu olhar e conhecimento enquanto nordestino faz diferença na hora de apresentar situações. “É normal retratarem o Nordeste em uma caricatura e, ao fazer um filme de comédia caricato, isso é um desafio. Mas justamente por conta do meu conhecimento de causa, eu evito certas caricaturas. Não é uma série de esquetes de humor, eles não falam a todo momento com a intenção de fazer graça, os personagens são engraçados por serem quem são. Acho que é aí que reside a diferença”, analisa o diretor.

“O Shaolin do Sertão”

Brasil, 2016

Direção: Halder Gomes. Elenco: Edmilson Filho, Falcão, Fábio Goulart, Dedé Santana, Marcos Veras, Fafy Siqueira

Em cartaz em JP e CG e a partir de amanhã, também em Patos

Paraíba Informa
André Luiz Maia / Foto: Divulgação

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