Elba Ramalho abre o folia de rua nesta sexta-feira

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É hoje, em João Pessoa, que Elba Ramalho começa a edição deste ano de sua maratona carnavalesca. O show que abre o Folia de Rua, à noite, no Ponto de Cem Réis (saiba mais sobre as outras atrações na capa do caderno Cidades), é o primeiro da temporada para a cantora (a exceção foi a participação no Baile da Vogue, em São Paulo, ontem, junto com outros artistas).

Elba conversou com o CORREIO por telefone, na estrada de Trancoso, onde passa os verões, para Porto Seguro: de lá, a viagem para o Rio para dar a partida aos compromissos de carnaval. Não há nem tempo de curtir o carnaval como foliã.

Elba tem grande identificação com o carnaval, a ponto de ter um show específico para o período, diferente do que tradicionalmente apresenta. E o quanto é diferente? “Praticamente tudo”, responde. “Com exceção de ‘Banho de cheiro’ e ‘Frevo mulher’, é praticamente um show todo novo”. Mas alguns momentos reservam adaptações de, por exemplo, ‘O xote das menninas’, que pode ganhar uma versão samba-reggae. “Depois misturo um pouco de Olodum…”, enumera.

“Tem frevos, tem galopes, tem Chico Science, tem Jorge Ben, Tim Maia… Tem Moraes, tem Ivete… Show de carnaval, eu faço bem eclético”, continua. “Como eu puxo o carnaval de São Paulo, eu canto muito samba também. Então, eu levo o samba de São Paulo, o samba do Rio…”.

É bem o “carnaval do Brasil”, de que fala justamente a letra de “Banho de cheiro”. “Quando eu canto em Recife, faço só frevo, maracatu e mangue beat. Mas quando canto em outras cidades, faço aquele meu carnaval multicultural. Uma brincadeira com tudo: Dona Ivone Lara, Zé Keti, Adoniran…”.

Pai tocava frevo em Conceição

Os carnavais de infância de Elba trazem sempre a memória do pai da cantora, João Nunes de Sousa (que morreu em 2011, aos 93 anos). “Meu pai era músico de orquestra em Conceição, no Sertão. meu pai era de origem pernambucana, então o frevo era a praia dele, né?”, conta. “Eu me lembro de quanto o meu pai era apaixonado por frevo; Aqueles clássicos, sabe? ‘Voltei, Recife’, ‘Bloco das Flores’, ‘Pitombeira’… Aprendi tudo aquilo com meu pai na infância”.

A influência do carnaval esteve presente até mesmo quando Elba começou a tocar bateria, nos final dos anos 1960. “Quando eu comecei a tocar bateria, cheguei até a dar canja na orquestra tocando frevo. Eu tinha 15, 16 anos”, lembra. O carnaval de Conceição era bem animado, conta Elba. “Carnaval de rua! Blocos, tudo. Orquestras, também. Minha terra é muito animada”, recorda. “Terra de músicos”.

A proximidade de Elba com o carnaval pernambucano (a ponto, por exemplo, de reservar um repertório específico para cantar lá) reflete um pouco essa influência do pai e da própria influência das festa de Recife e Olinda por aqui – afinal, o frevo continua hit parade nos blocos de João Pessoa.

“É uma cultura nossa, né?”, reflete. “Nós somos irmãos, ali, coladinhos. O coco pernambucano, o coco paraibano, o boi de Pernambuco, o boi da Paraíba… Tudo muito rico”.

Elba volta a João Pessoa cerca de dois meses depois de ter estado na cidade: a vez anterior foi por conta da homenagem recebida no Fest Aruanda, onde pôde rever a si mesma em 1985, atuando no filme Ópera do Malandro, de Ruy Guerra (e re-encontrar o diretor).

“Cara, eu não lembrava de muita coisa!”, diz. “Adorei rever o filme, gostei mais do que gostava antes”. No filme, ela voltava a um papel que havia interpretado no teatro, no começo da carreira. “Mas no teatro era outra coisa completamente diferente, meu entrava no palco e fazia 10, 15 minutos e acabou minha cena. E no cinema, a atuação foi maior”.

Elba volta a João Pessoa em março, a bordo do Grande Encontro, com Alceu Valença e Geraldo Azevedo, no Teatro Pedra do Reino. “Eu fico impressionada como a gente faz sucesso com esse show. Foram 60 shows no ano passado”, conta. “Só São Paulo a gente já foi seis vezes, está indo a sétima. No Rio, já fizemos cinco vezes”. A cidade não vai se cansar, Elba.

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