Medicamentos sobem este mês

O reajuste anual do preço dos medicamentos será anunciado pelo governo federal até o dia 30 de março, e a alta deve chegar ao bolso do consumidor já em abril. No ano passado, o reajuste foi de 5,85%, o equivalente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acumulado dos últimos 12 meses. Neste ano, a inflação oficial acumulada, que será levada em conta para calcular o aumento, está mais alta (6,31%).

O reajuste representa o teto máximo autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão do governo federal formado por uma equipe interministerial liderada pelo Ministério da Saúde. O Ministério da Saúde informou que a atualização de preços ocorre, geralmente, na primeira semana de abril e, imediatamente, há a adequação na indústria farmacêutica.

O aumento de preços é calculado a partir de variáveis como as expectativas de inflação, de ganhos de produtividade das empresas de medicamentos e o preço dos insumos usados na produção dos remédios. Para a inflação, é usada como base o IPCA. É ainda levado em consideração no cálculo a variação da cotação do dólar e o índice de preços da energia elétrica.

A categoria de medicamentos que tem maior participação dos genéricos (na qual os genéricos têm faturamento igual ou superior a 20%), chamados de medicamentos do Nível I, têm um teto mais alto de reajuste de preço. O Ministério da Saúde informou, ainda, que os medicamentos que têm participação média de genéricos (entre 15% e 20% do faturamento) poderão ter reajuste médio, enquanto a categoria que têm menor participação dos genéricos (inferior a 15%) terá reajuste menor.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos de João Pessoa (Sindfarma-JP), Hebert Almeida, explicou que, logo após o anúncio do reajuste, as distribuidoras adotam a alta e em seguida repassam para as farmácias. “Logo que é feito o anúncio por parte do governo federal, há a comunicação para as entidades, a Abrafarma, e automaticamente o repasse é feito para as distribuidoras e depois para as farmácias. Todo reajuste é ruim para o consumidor, mas ele deve fazer pesquisa para procurar o melhor preço”.

ALTA VAI PESAR NO BOLSO DA FAMÍLIA

A dona de casa Irene Angelina de Lemos precisa comprar todo mês o remédio Artoglico, que custa R$ 110,00, usado para tratamento de artrite e artrose, além de Puran T4, que custa R$ 9,00, para cuidar de problemas da tireóide. Segundo ela, mais um aumento vai dificultar a renda da família, que é de, aproximadamente, dois salários mínimos.

“A nossa situação vai ficar ainda mais difícil, porque sou pensionista e recebo um salário mínimo e precisei fazer um empréstimo. Recebo agora menos de R$ 500,00 por causa do desconto. Meu marido recebe um salário mínimo e me ajuda com os remédios. Temos que pagar as contas de casa”, frisou.

A dona de casa afirmou, ainda, que não pode ficar sem tomar os remédios porque sente muita dor. Ela ainda comprava por R$ 58,00 o remédio Reuquinol, também para artrose e artrite. “Mas graças a Deus consegui ele de graça”, disse.

JP

 

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