Prefeitos preparam ‘herança maldita’ para inviabilizar início da gestão de adversários eleitos

herança malditaExonerações, transferência de cargos, pagamento de salários dos servidores atrasado, retirada de gratificações, anúncio de concursos públicos, ameaças contra servidores e abandono de obras.

Estas são algumas denúncias que o Ministério Público da Paraíba (MPPB) recebeu nestes últimos dias.

Os acusados são os atuais prefeitos de diversos municípios paraibanos, em diferentes regiões do Estado. Em todos os casos, uma coincidência: são prefeitos que perderam as eleições no último dia 7 de outubro.

Em Solânea (distante 138 quilômetros de João Pessoa), no Agreste paraibano o clima é de insegurança entre os moradores. O atual gestor municipal Francisco de Assis Melo (PMDB), conhecido como Dr. Chiquinho, apoiou Edvanildo Júnior (PMDB), que obteve 6.112 votos (41,76% do total) e foi derrotado nas urnas pelo ex-prefeito Beto do Brasil (PPS), que teve 8.523 votos (58,24% do total). No município há denúncia de abandono de obras, como é o caso da escola José Menino de Oliveira e do ginásio poliesportivo Adauto Silva, que estão paralisadas há mais de um ano. Segundo um morador, que não quis ser identificado “com medo de perseguição”, cerca de sete servidores municipais foram exonerados dos cargos. No mês de setembro, o pagamento do magistério, que geralmente ocorre no dia 30, foi realizado apenas no dia 11 de outubro. Também há denúncia de que o lixo não é mais recolhido e as árvores não estão sendo podadas.

Esta situação ocorre também no município de Alhandra (distante 42 quilômetros da Capital), na região do Litoral Sul da Paraíba. O atual prefeito, Renato Mendes (DEM), tinha Gorete Mendes (PSDB) como candidata nas eleições 2012. A tucana recebeu 6.129 votos (45,79% dos votos válidos), perdendo para o peemedebista Marcelo Rodrigues, que obteve 7.256 votos (o equivalente a 54,21% do total dos votos válidos).

Em Sapé (distante 55 quilômetros de João Pessoa), também na região da Mata paraibana, uma situação peculiar. O atual prefeito, João da Utilar (DEM), desistiu da reeleição e viu seu opositor, Roberto Feliciano (PSB), ganhar a eleição com 12.010 votos (47,11% do total). Nos dois municípios da região da Mata, também há denúncias de ‘abandono’ de obras e transferência de servidores para exercer funções abaixo de suas qualificações.

Esses três prefeitos também respondem a acusações de envolvimento em esquema fraudulento de desvios de recursos públicos destinados a eventos na Paraíba. Os gestores chegaram a ser presos em operação denominada ‘Pão e Circo’ deflagrada no dia 28 de junho de 2012 pela Polícia Federal, Controladoria Geral da União (CGU) e Ministério Público. Além deles, outras 25 pessoas foram presas em 18 prefeituras paraibanas.

Portal Correio

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