Três atores paraibanos estão no elenco da série ‘fim do mundo’

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Pernambuco nunca esteve tanto em evidência na área do audiovisual quanto agora. Diversos filmes bem-sucedidos, seja em crítica, seja em público, a exemplo de Aquarius, Tatuagem, Boi Neon e O Som ao Redor. Em várias delas, os talentos paraibanos também encontram espaço para aparecer.

No novo seriado do Canal Brasil, que estreia amanhã, não será diferente. Dirigida por Hilton Lacerda (de Tatuagem) e Lírio Ferreira (de Baile Perfumado), Fim do Mundo apresenta em cinco capítulos o universo do interior nordestino centrada na história e nas memórias de infância de dois jovens. No elenco, três nomes conhecidos do teatro paraibano: Everaldo Pontes, Marcélia Cartaxo e Suzy Lopes.

Suzy interpreta Melina, um personagem que aparece em três dos cinco episódios. A concepção do personagem foi uma criação na qual a própria atriz teve participação. “Eu e Lírio Ferreira tivemos uma conversa extensa, na qual discutimos o roteiro de maneira geral e as necessidades que aquele meu personagem poderia suprir”, explica. No fim, como a produtora Letícia Simões nomeou, Melina funciona como uma espécie de corifeu, figura do teatro grego clássico que funciona como alguém que expressa através da fala as tensões da trama. “É uma pessoa que fala e pensa ao mesmo tempo”, completa Suzy Lopes.

A história é ambientada em dois momentos. Após uma adolescência conturbada, Vitória (Hermila Guedes) decide se mudar para a capital e deixar para trás a pequena cidade de Desterro. No entanto, o destino faz com que ela retorne à terra natal, na tentativa de recomeçar a vida ao lado do filho Cristiano, papel de Jesuíta Barbosa, que acabou de sair da prisão.

O “fim do mundo” do título advém da visão que Vitória tem de sua terra, uma cidade condenada ao marasmo e ao conformismo em replicar as mesmas tradições de sempre. “É um ambiente de opressão. Vitória foge daquela cidade porque sabia que lá não seria feliz. Ao retornar para lá, ela sente que precisa acertar as contas com o passado”, pontua Hermila Guedes, em entrevista ao CORREIO.

Em Desterro, ela é recepcionada por seu irmão Balbino (Alberto Pires), um homem conservador e fixo em suas convicções, a jovem Joaninha (Larissa Leão) e a sogra Mazé (Marcélia Cartaxo). De certa forma, Hermila afirma que a concepção de sua personagem foi natural, pois ela se assemelha a diversas figuras femininas de sua própria família. “Vitória tem sentimentos feministas, está à frente daquele tempo. Minha avó foi mãe solteira, criou sete filhos sozinha, então isso serviu para que eu a interpretasse com esse espírito”, completa a atriz.

Cada capítulo tem uma inspiração literária em sua trama, sempre com base em escritores nordestinos. O primeiro é uma adaptação livre de um conto de Ronaldo Correia de Brito. Os outros capítulos apresentam conceitos de textos de Hermilo Borba Filho, Antônio Carlos Viana e Sidney Rocha. No entanto, não se trata de uma antologia, pois há uma narrativa linear que percorre os cinco capítulos, trazendo um caráter de continuidade à história.

Jesuíta Barbosa já havia trabalhado com Hilton Lacerda em Tatuagem, interpretando o personagem Fininha, e há bastante tempo queria repetir a dose. E então, veio Cristiano, seu personagem no seriado. “Na verdade, o personagem se moldou de verdade após uma longa conversa que tivemos. Ele me trouxe a ideia e pediu para que eu interpretasse o personagem. Foi um jogo psicológico para construir uma personalidade genuína”, explica o ator.

Hermila enxerga o papel de Jesuíta como um símbolo da juventude atual. “É uma juventude com menos pudor, mais livre, que acredita que pode tudo, até mesmo aquilo que nem a própria sociedade acredita que pode”.

com André Luiz Maia

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